domingo, 18 de agosto de 2013

Sobre epifanias...



 Deveria chamar-te claridade
Pelo modo espontâneo
Franco e aberto
Com que encheste de Cor meu mundo escuro

[ Vinicius de Moraes]

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Sobre a melancolia de um pré-agosto



Sei exatamente a hora que me fazes falta

É quando sinto um buraco no meio do dia.


[ Lia Araújo]

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Sobre perdas


Da vez primeira em que me assassinaram
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha...
Depois, de cada vez que me mataram, 
Foram levando qualquer coisa minha.

[ Mario Quintana]

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Sobre as doçuras

Fazia uma oração Lispectoriana: "Ira, transforma-te em mim em perdão, já que és o sofrimento de não amar."
Me afastei...
Me afastei até mesmo desse pedaço da minha alma que eu chamo de poesia.
Fui fechando uma a uma as doçuras da minha natureza a cada golpe que recebia.
E cada doçura vilipendiada foi se enegrecendo... tornaram-se escuras como uma noite angustiada sem estrelas para navegar. 


....

Passei muito tempo com elas de molho, depois "guarando" ao sol. 
Por fim, estendi-as ao vento da animosidade...até que o tempo...fez sua grande mágica( não sem muito esforço)... 
E minha alma agora?
Só posso pensar no Quintana: "Ela era branca, branca. Dessa brancura que não se usa mais. Mas sua alma era furta-cor."



quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Flores negras do tédio e flores vagas

De amores vãos, tantálicos, doentios... 

[ Cruz e Souza]

"Se ao menos pudesse voltar a ser tão distraída, a sentir tanto amor sem saber."

[Markus Zusak -  A Menina Que Roubava Livros]

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Setembro

"...e, a partir de setembro, tentar reunir os cacos outra vez." [Caio F.]

E florir. 

A primavera desponta no final de setembro
Preparemo-nos.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Isso é só o começo

Hoje me perguntaram o que é o amor
Não soube responder...
E ele que antes tinha nome, CPF e endereço... virou só mais um substantivo abstrato sem rosto...
" O que não tem fim sempre acaba assim".


Isso é só o começo!
Aqui chegamos, enfim
A um ponto sem regresso
Ao começo do fim
De um longo e lento processo
Que se apressa a cada ano
Como um progresso insano
Que marcha pro retrocesso
E é só o começo
Estranhos dias vivemos
Dias de eventos extremos
E de excessos em excesso
Mas se com tudo que vemos
Os olhos viram do avesso
Outros eventos veremos
Outros extremos virão
Prepare seu coração
Que isso é só o começo
É só o começo
Isso é só o começo
É só o começo
Aqui chegamos, porém
Num evento diferente
Onde a gente se entretém
Um ao outro, frente a frente
Deixando um pouco ao fundo
O ambiente do mundo
Por esse aqui, entre a gente
É só o começo
 Assim nesse clima quente
No espaço e tempo presente
Meu canto eu lanço, não meço
Minha rima eu arremesso
Pra que nada fique intacto
E tudo sinta o impacto
Da ação de cada canção
Preparem-se irmã, irmão
Que isso é só o começo

[ Lenine]



sábado, 11 de agosto de 2012


sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Não sei para que
Outra história de amor a essa hora
Porém você
Diz que está tipo a fim
De se jogar de cara num romance assim
Tipo para a vida inteira
E agora, eu
Não sei agora
Por quê, não sei
Por que somente você
Não sei por que
Somente agora você vem
Você vem para enfeitar minha vida
(...)
Por quê, não sei

Por que somente você
Não sei por que
Somente agora você vem
Vem para embaralhar os meus dias

[Chico Buarque]

segunda-feira, 23 de julho de 2012


quarta-feira, 11 de julho de 2012

Quase amores


Quase amores não existem. E não existem mesmo. Mas existem. Tudo bem, você pode desconfiar de um quase corno. Mas, provavelmente, nunca apertou a mão de um semi-gay. Ligeiramente grávidas são um desafio para a ciência. De meio amigos também não há registros, porém para encontrar mui amigos, chute uma lata e surgirão como ratos. Mas quase amor existe.
Quase amor é aquele ensejo de romance que surgiu com sabor de sorvete de baunilha. Você foi dar uma colherada com gosto e SPLASH! Ao levar o prazer até a boca, o doce escorreu e espatifou, melecando sua calça jeans. Todo mundo passa por isso, quer queira, quer não. Histórias de quase amor não lotam pré-estreias em Los Angeles, mas na vida sem bilheterias goleiam impiedosamente os contos de amor concreto.
Um amor que não passa do primeiro beijo porque o cara é noivo, é um quase amor. Um romance que não chegou no sexo, pois uma das partes embarcou com urgência para Londres sem aviso prévio, é quase amor também. Visualiza a cena: você gosta de uma garota comprometida e pede a ela que não suba no ônibus. Ou será o fim. Ela titubeia, faz bem-me-quer, mas segura o corrimão, ergue o pé direito e te olha com beiço de despedida. Pronto, outro quase amor saindo quentinho. Uns duram cinco anos, outros cinco meses. Raros, cinco dias. Contudo – de fato e amargamente – quase amores se dão como formigas em pote de mel.

Por isso quase amores existem e não existem. Talvez não tivera beijo, ou não houve sexo, quiçá um abraço de urso. Quase amores são cheios da falta de café na cama, juras de amor eterno, cena de ciúme, mordida no queixo, lutinha no carpete, banho de espuma, briga na casa da sogra, despedida em rodoviária, confusão de chinelos, chimarrão no meio-fio, troca de alianças, beijo na testa, orgasmo com choro e velhice compartilhada.
E se engana quem pensa que os quase amores são aqueles impossíveis ou proibidos, do tipo Janet Dailey. Amores por um triz têm motivos circunstanciais. Amor que é proibido, mas os dois se correspondem, já é amor completo, mesmo que imperfeito. Quase amor é quando um dos lados se doa pela metade, quando tanto. Aí é pretérito. Bem mais que imperfeito.
Quase amor é um lugar estranho e ao mesmo tempo familiar. Aconchegante e inóspito. Enérgico e gélido. É como quando você tem um déjà vu ao entrar numa rua ladrilhada dessas de cidade histórica. Um lugar aonde você jamais esteve, porém consulta sua memória rígida buscando reconhecer árvores, calçadas e telhados. Uma saudade abstrata pressiona o peito. E quase dói.


***

Texto do livro novo do Gabito Nunes "Sempre Chove no Meu Carnaval" !
"Gastei todas as minhas mentiras na paixão. Gastei todas as minhas verdades no amor. O que sobrou sou eu."

[Fabrício Carpinejar]
 

domingo, 8 de julho de 2012

Do pranto à dança

‎"Mudaste o meu pranto em dança, a minha veste de lamento em veste de alegria,
para que o meu coração cante louvores a Ti e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te darei graças para sempre."

[ Salmo 30.11,12]



quarta-feira, 4 de julho de 2012

Saudade boa!


Deus mora na saudade,

ali onde o amor e a ausência se assentam.



[Rubem Alves]



O blog completou 3 anos. 
Sinto saudades de vocês...

Um abraço a todos!

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Felicidade?



Disse o mais tolo: "Felicidade não existe".
O intelectual: "Não no sentido lato".
O empresário: "Desde que haja lucro".
O operário: "Sem emprego, nem pensar".
O cientista: "Ainda será descoberta".
O místico: "Está escrito nas estrelas".
O político: "Poder".
A igreja: "Sem tristeza, impossível. Amém".
O poeta riu de todos, e, por alguns minutos, foi feliz.


[ O teatro mágico]

terça-feira, 29 de maio de 2012

Sobre pedidos e dente-de-leão


Troquei o caminho...
E nas margens do novo
Avistei um dente-de-leão.
Lembrei que meu eu-lírico os adorava...
Um Eu mais jovem o teria soprado fazendo pedidos esperançosos...
Olhei-o com ternura...
E uma pontinha de desapontamento
Segui o caminho...
_'Meus pedidos atuais eram pesados demais para algo tão leve.'

Esse não é um blog de amor. É só desamor!

Não passou
De um triste desencanto, amor,
E desde então eu canto a dor
Que eu não soube chorar

Chico Buarque

Borboletas

Borboletas
VOAM EM BUSCA DA LUZ,EU...DO TEU OLHAR.